Quem deu o presente achou que era "a minha cara" devido à modesta coleção de matrioshkas que eu e meu filho estamos fazendo. Atualmente, temos 12 peças. Tudo começou com uma boneca que minha mãe trouxe da Alemanha, pouco tempo depois da Queda do Muro. Há cerca de quatro anos, comecei a trazer matrioshkas de todas as viagens que fazia. Ganhei algumas de presente, também. E assim, nossa preciosa coleção, com bonecas grandes e pequenas, de vários estilos e cores, figura orgulhosamente sobre a mesa de centro da sala de estar.
Li que as lindas bonequinhas de madeira parecem ter sido inspiradas em um brinquedo japonês composto por várias estatuetas, uma dentro da outra. Mas na Rússia, antes do aparecimento deste brinquedo (que acredita-se ter ocorrido no final do século XIX), já se fabricavam ovos de Páscoa com peças que eram colocadas umas dentro das outras. Provavelmente, as matrioshkas foram inspiradas na fusão destas influências. Em pouco tempo, alcançaram grande popularidade, e passaram a ser confeccionadas em vários locais da Rússia. As mais típicas tinham desenhos de meninas com vestidos sarafan, com lenços, cestas, laços, flores; surgiram também outros desenhos familiares (pastores tocando flautas, noivas, velhos barbados, etc..) e motivos eruditos e culturais (por ex., no centenário do nascimento de Gogol, foram feitas bonecas inspiradas nos heróis de suas obras), ou então folclóricos. Recentemente, a política também vem sendo fonte de inspiração; já vi matrioshkas que representam os governantes russos mais proeminentes, de Stálin a Putin! Quando estive em São Petersburgo, me disseram que as mais típicas sempre têm a predominância do vermelho em motivos ligados à casa e ao campo, como flores e alimentos, por exemplo.
Estas informações foram baseadas no site do Grupo Volga (www.grupovolga.com.br), que é um grupo de dança folclórica russa, muito sério na preservação das tradições, formado por membros da comunidade russa radicada na Zona Leste, em São Paulo.
(Publicado pela 1ª vez em 16/02/11, em acpcastro.blog.uol.com.br - o texto original foi reformulado)
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