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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

John Wayne

Adoro John Wayne... Não surgiu, até hoje, ninguém nem parecido com ele. Deixou uma lacuna impossível de ser preenchida na história do cinema.
Em termos de grandeza, único nome que penso se equiparar é o de Clint Eastwood. Porém, são estilos totalmente diferentes.
Clint é perfeito em explorar seus (e nossos) demônios interiores, além de ser um artista maduro, plural, viril, e bom também com os "demônios exteriores".
Wayne parecia sempre não ter demônios interiores - os lindos olhos azuis transbordavam franqueza, coragem, justiça, simplicidade e sabedoria. Encarnou com perfeição o arquétipo do mocinho, do herói - e, meu Deus, como precisamos de heróis, com tantos vilões a nos assombrar pela vida afora!
Confundia-se com seus personagens, e por isso digo que John Wayne era o homem que sempre fazia a coisa certa, embora não se desse ao trabalho de fazer gentilezas; dotado de enorme bravura, senso de lealdade e de justiça, e um certo senso de humor; sempre galanteador, mas incapaz de não ser decente. Encarnou a alma do cowboy como ninguém (mesmo que não atuasse num western...), e, tendo sido a conquista do Oeste fundamental na amálgama que moldou o país, o homem tornou-se um ícone da própria América.
Seu carisma, sua expressão às vezes brejeira, às vezes raivosa, o sorriso franco de quem nada tem a esconder, o andar másculo sobre as eternas botas, entre coldres, cartucheiras e todo tipo de armas simbolizam o país que cresceu sobre trabalho árduo, bravura, senso de Justiça e ódio à mentira.
Fico pensando que, para a patrulha do politicamente correto de hoje em dia, Wayne seria um prato cheio: sempre (muito) armado, fumando (por essa o ídolo pagou caro...), perseguindo índios, nada ecológico, ensinando crianças a atirar, e sempre pronto a não levar desaforo prá casa e resolver os problemas no braço. Iria ser censurado o tempo todo! Mais uma prova de que o mundo está piorando em vários aspectos...
Talvez ele não possa mais ser o símbolo daquilo em que a América se transformou. Ou talvez, o país esteja mesmo sem saber mais sua identidade.
Logo no início de O Álamo, o personagem de Wayne diz para a mocinha: "Existe o certo e o errado, e existe escolher o certo e escolher o errado". Não sei se tenho mais saudade dele, ou de um mundo mais simples e sincero.

(Publicado pela 1ª vez em 07/04/11, em acpcastro.blog.uol.com.br - o texto original foi reformulado)

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