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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Steak Tartar (Bistecca alla Tartara)

Encontra-se grande diversidade de ingredientes e preparo ao pesquisar esta receita.

A que publico a seguir foi inspirada no Steak Tartar do Restaurante Savini, em Milão. É preparada à mesa pelo maitre.

Ingredientes (3 - 4 porções):

  • 750g de filé mignon moído (na hora, se possível)
  • 3 gemas
  • azeite de oliva extra-virgem
  • suco de 1 a 2 limões sicilianos
  • 1 golinho de brandy
  • sal (Maldon, se possível)
  • pimenta-do-reino moída na hora
  • Tabasco 
  • molho tipo Worcestershire (gosto do Lea-Perrins) 
  • salsinha, cebolinha, alcaparras (opcional) e cebola (gosto de usar cebola-roxa, é mais saborosa) picadas bem finamente.

Em uma tigela redonda ou oval, misture bem o suco de limão, o azeite, o brandy, o sal, a pimenta, o Tabasco e o molho tipo Worcestershire. Acrescente as gemas e bata bem. Misture bem a carne a este molho, prove e acerte o tempero. Acrescente a salsinha, a cebolinha, as alcaparras e a cebola, misture muito bem e desenforme, ou transfira para uma travessa moldando como um "bolinho". Está pronto para servir. Acompanhe com salada verde e/ou batata frita.

Observação importante: como se trata de comer carne e ovo crus, a procedência dos ingredientes deve ser muito bem conhecida!

Em tempo: no dia seguinte, refoguei a sobra de carne temperada com mais cebola, ovo cozido e azeitona preta picada. Ficou um ótimo recheio para pastéizinhos.

(Publicado pela 1ª vez em 06/04/11, em acpcastro.blog.uol.com.br - o texto original foi reformulado)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

John Wayne

Adoro John Wayne... Não surgiu, até hoje, ninguém nem parecido com ele. Deixou uma lacuna impossível de ser preenchida na história do cinema.
Em termos de grandeza, único nome que penso se equiparar é o de Clint Eastwood. Porém, são estilos totalmente diferentes.
Clint é perfeito em explorar seus (e nossos) demônios interiores, além de ser um artista maduro, plural, viril, e bom também com os "demônios exteriores".
Wayne parecia sempre não ter demônios interiores - os lindos olhos azuis transbordavam franqueza, coragem, justiça, simplicidade e sabedoria. Encarnou com perfeição o arquétipo do mocinho, do herói - e, meu Deus, como precisamos de heróis, com tantos vilões a nos assombrar pela vida afora!
Confundia-se com seus personagens, e por isso digo que John Wayne era o homem que sempre fazia a coisa certa, embora não se desse ao trabalho de fazer gentilezas; dotado de enorme bravura, senso de lealdade e de justiça, e um certo senso de humor; sempre galanteador, mas incapaz de não ser decente. Encarnou a alma do cowboy como ninguém (mesmo que não atuasse num western...), e, tendo sido a conquista do Oeste fundamental na amálgama que moldou o país, o homem tornou-se um ícone da própria América.
Seu carisma, sua expressão às vezes brejeira, às vezes raivosa, o sorriso franco de quem nada tem a esconder, o andar másculo sobre as eternas botas, entre coldres, cartucheiras e todo tipo de armas simbolizam o país que cresceu sobre trabalho árduo, bravura, senso de Justiça e ódio à mentira.
Fico pensando que, para a patrulha do politicamente correto de hoje em dia, Wayne seria um prato cheio: sempre (muito) armado, fumando (por essa o ídolo pagou caro...), perseguindo índios, nada ecológico, ensinando crianças a atirar, e sempre pronto a não levar desaforo prá casa e resolver os problemas no braço. Iria ser censurado o tempo todo! Mais uma prova de que o mundo está piorando em vários aspectos...
Talvez ele não possa mais ser o símbolo daquilo em que a América se transformou. Ou talvez, o país esteja mesmo sem saber mais sua identidade.
Logo no início de O Álamo, o personagem de Wayne diz para a mocinha: "Existe o certo e o errado, e existe escolher o certo e escolher o errado". Não sei se tenho mais saudade dele, ou de um mundo mais simples e sincero.

(Publicado pela 1ª vez em 07/04/11, em acpcastro.blog.uol.com.br - o texto original foi reformulado)

Solidariedade

Situações extremas despertam nas pessoas atitudes extremas - tanto para a sombra como para a luz.
No dia 8 de fevereiro, tive um problema grave em família. Minha mãe teve uma hemorragia severa, com sérias consequências, e o quadro foi agravado pelo fato de ela estar sozinha em casa (minha irmã, que mora com ela, por uma coincidência, estava viajando na ocasião, e eu não moro na mesma cidade que elas). Não cabem aqui detalhes técnicos do quadro. Importa apenas o fato de que tudo evoluiu bem, e ela está se recuperando.
E importa principalmente relatar o quanto o concurso de pessoas solidárias concorreu para este resultado favorável. Até que eu conseguisse pegar um avião e chegar até ela, um casal de amigos abriu mão de seu sono, de seus compromissos, de sua rotina, para assumir integralmente a responsabilidade de socorrê-la adequadamente. E o fizeram tão bem, que, quando finalmente cheguei, a situação já estava sob controle. Salvaram a vida dela. Não bastasse isso, me acolheram e deram todo o suporte (de transporte, e de infra-estrutura doméstica para ter onde tomar um banho e fazer uma refeição) até que minha irmã chegasse à cidade. E ainda continuaram ajudando com o que foi necessário depois... Pura solidariedade totalmente desinteressada. Pessoas que pautam suas vidas seguindo DE FATO valores cristãos .
Creio que isso só pode ser a Mão de Deus - e não vou mudar de idéia, porque a Fé é um Dom. Não só recebi esse auxílio fantástico deste casal, como um número grande de outras pessoas ajudou como pôde: com dinheiro (pois precisei levantar com urgência uma quantia grande, de que não dispunha) e com contatos (meu marido acionou um amigo que é superbem relacionado, e nos proporcionou os melhores médicos disponíveis), meus colegas cobriram minha ausência no trabalho sem uma reclamação (já que eu telefonei para o pessoal meio assim: " Estou entrando num avião, não sei quando volto, se virem sem mim"),  e uma rede de apoio se formou com diversas ações pontuais mas essenciais. Tudo simplesmente por respeito e amizade. Tanto a agradecer...
E tanto a refletir... Terei eu sido solidária assim quando outros precisaram? Teria agido assim, no lugar deles? O que é a vida se não pudermos contar com uma mão amiga nos momentos difíceis? Que lição temos a aprender de tudo isso?

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Matrioshkas

Há um tempo atrás, ganhei um presente adorável: um pacotinho de uma loja chamada Origami em Tecido contendo um porta-cartões e um porta-níqueis feitos só com dobras de um tecido estampado com lindas matrioshkas coloridas. Superlindo!
Quem deu o presente achou que era "a minha cara" devido à modesta coleção de matrioshkas que eu e meu filho estamos fazendo. Atualmente, temos 12 peças. Tudo começou com uma boneca que minha mãe trouxe da Alemanha, pouco tempo depois da Queda do Muro. Há cerca de quatro anos, comecei a trazer matrioshkas de todas as viagens que fazia. Ganhei algumas de presente, também. E assim, nossa preciosa coleção, com bonecas grandes e pequenas, de vários estilos e cores, figura orgulhosamente sobre a mesa de centro da sala de estar.
Li que as lindas bonequinhas de madeira parecem ter sido inspiradas em um brinquedo japonês composto por várias estatuetas, uma dentro da outra. Mas na Rússia, antes do aparecimento deste brinquedo (que acredita-se ter ocorrido no final do século XIX), já se fabricavam ovos de Páscoa com peças que eram colocadas umas dentro das outras. Provavelmente, as matrioshkas foram inspiradas na fusão destas influências. Em pouco tempo, alcançaram grande popularidade, e passaram a ser confeccionadas em vários locais da Rússia. As mais típicas tinham desenhos de meninas com vestidos sarafan, com lenços, cestas, laços, flores; surgiram também outros desenhos familiares (pastores tocando flautas, noivas, velhos barbados, etc..) e motivos eruditos e culturais (por ex., no centenário do nascimento de Gogol, foram feitas bonecas inspiradas nos heróis de suas obras), ou então folclóricos. Recentemente, a política também vem sendo fonte de inspiração; já vi matrioshkas que representam os governantes russos mais proeminentes, de Stálin a Putin! Quando estive em São Petersburgo, me disseram que as mais típicas sempre têm a predominância do vermelho em motivos ligados à casa e ao campo, como flores e alimentos, por exemplo.
Estas informações foram baseadas no site do Grupo Volga (www.grupovolga.com.br), que é um grupo de dança folclórica russa, muito sério na preservação das tradições, formado por membros da comunidade russa radicada na Zona Leste, em São Paulo.

(Publicado pela 1ª vez em 16/02/11, em acpcastro.blog.uol.com.br - o texto original foi reformulado)