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domingo, 29 de janeiro de 2012

Decisões

Há 3 tipos de decisões: o primeiro, refere-se àquelas decisões que os outros tomam por você - ou porque não está capacitado para tanto, ou porque demorou muito a decidir, e perdeu o momento.
Há também aquelas decisões cuja principal motivação é provar alguma coisa para alguém - nem que seja você mesmo. São estas as decisões que repensamos quando chegamos à maturidade,  paramos de querer provar coisas e resolvemos simplesmente viver do melhor jeito que der. Mas nem sempre é possível revertê-las...
Finalmente, há as decisões que têm origem em reflexões profundas e afetuosas sobre qual o melhor caminho, em função da sua essência e das suas prioridades.
Quaisquer decisões podem ser corretas, ou se revelar erradas. Mesmo as corretas implicam em perdas. Algumas escolhas são irreversíveis, e outras podem nos dar uma segunda chance. Cabe sempre ter absoluta clareza das motivações.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Ossobucco

Gosto de preparar pratos suculentos, úmidos e aromáticos. Boa comida tem que ser perfumada! (ainda me lembro de, criança, ir cheirar as panelas no fogão da minha avó, excelente cozinheira - mesmo que fosse um simples arroz e feijão,  aquele aroma inesquecível de comida bem feita e bem temperada... ah, que saudade!).
Ontem passei o dia todo às voltas com um ossobuco, que servi num delicioso almoço-jantar.
Bom, lá vai a receita (inspirada num livro fantástico chamado "The Opera Lover's Cookbook", publicado por Stewart, Tabori & Chang, 2006. Recomendo enfaticamente: as receitas são ótimas e o livro é muito rico e bem produzido). Fiz algumas modificações em relação à receita original.

Tempo de preparo: +- 1h, fora deixar a carne marinando de véspera; tempo de cozimento: +- 2,5hs; para 4 pessoas.
- 4 ossobucos de boi (+- 500g cada)
- para a marinada (que minha avó chamava de vinha d'alho): 1 punhado de manjerona e 1 de orégano frescos; sucos de 1 limão siciliano e 1 limão tahiti: 3 dentes de alho e 1 cebola picados pequeno; 1 xícara de vinho branco; pimenta do reino moída na hora
- deixar os ossobucos na marinada de um dia para o outro, virando de vez em quando
- tirar os temperos dos ossobucos (reservar a marinada), salpicar o sal na carne e passá-los no quanto baste de farinha de trigo
- selar a carne em azeite (quanto baste), cerca de 3' de cada lado (use uma caçarola em que caibam os quatro ossobucos lado a lado). Reserve-os
- prepare o molho: na mesma caçarola dourar 1 cebola grande, 2 cenouras pequenas e 2 talos grandes de salsão, tudo picado finamente. Acrescentar 3 folhas de louro fresco e cozinhar por +- 6 minutos. Acrescentar 3 dentes de alho fatiados finamente e 1 colher de sopa de manjerona seca, e cozinhar + uns 3'. Acrescentar a marinada e mais 1,5 xíc. de vinho branco, e deglaçar os grumos de carne e farinha grudados no fundo da panela. Acrescentar 1 litro de caldo de carne da melhor qualidade, e quando ferver, retirar do fogo. Reserve o molho em uma tigela ao lado do fogão
- na mesma caçarola, volte os ossobucos, coloque-os lado a lado, cubra com 8 tomates sem pele e sem sementes picados grosseiramente, e acresente parte do molho. Quando ferver, diminua o fogo e cozinhe por 2 hs a 2,5hs, acresentando molho sempre que necessário
- quando a carne estiver bem cozida, tranfira os ossobucos para uma travessa, cubra com o molho (que deve estar quase cremoso a essas alturas), e salpique com uma mistura de alecrim, cheiro verde e raspas de 1 limão siciliano (gremolata). Fica perfumadíssimo!

Sirva com um risoto, por exemplo, de açafrão, e, claro, um bom vinho tinto.

(Publicado pela 1ª vez em 05/02/11, em acpcastro.blog.uol.com.br - o texto original foi reformulado)

Recomeço

Desisti de fazer resoluções e promessas de Ano Novo há um bom tempo. Quando menina, até as escrevia em uma agenda.Na minha idade, registrar ou divulgar tais promessas é o caminho para a desmoralização. Isso não me isenta de saber de vários hábitos e atitudes que preciso melhorar: ser mais organizada com a burocracia e o orçamento, perder uns quilinhos, fazer atividade física com a devida regularidade, escrever com mais constância para me aperfeiçoar, etc... - e me isenta menos ainda do esforço continuado de autocorreção.
O ciclo contínuo de dezembros e janeiros traz inevitavelmente um sopro de renovação, que talvez seja fruto do pensamento mágico, como quando eu era criança e ficava três longos meses de férias de verão (hoje em dia, a molecada fica "só" dois) - a sensação era a de um tempo fora do tempo. Hoje, o moto contínuo faz essa idéia de recomeço parecer fantasia. Quase todos os anos, trabalho no dia 31 de dezembro, vou dormir (depois dos fogos e de uma bela ceia, é claro), e,  no dia seguinte, e no outro, e no outro, volto ao trabalho, e tudo se mantém rigorosamente igual, mesmos problemas, mesmas dificuldades.
Talvez pelo fato de ter conseguido, neste início de janeiro, sair para umas férias mais longas que o habitual, hipernecessárias para um recarregamento completo de baterias excepcionalmente exauridas, a sensação de que o calendário marca um recomeço verdadeiro ficou mais forte.
Inevitáveis são os votos de realizar, no ano que inicia, planos e desejos antigos, para os quais nunca sobraram tempo e dinheiro: voltar a estudar Inglês, estudar Italiano, frequentar cursos de Culinária, História, Literatura, começar a escrever meu primeiro romance, viajar mais... e tantas outras coisas. Sei que se conseguir cumprir só um destes planos, já será fantástico - e o bom é que eles não têm prazo de validade, sempre será tempo. Então, um de cada vez ...
O que mais traz o sopro da renovação é a existência de projetos e novos objetivos. Sempre admirei as pessoas que conseguiram mudar de atividade profissional no meio da vida, e alcançar sucesso e realização numa carreira ou num trabalho que não havia sido sua primeira escolha. A coragem e o empreendedorismo dos que souberam se reinventar - frequentemente a partir de momentos de crise - são inspiradores, e me ensinam que a mudança é positiva, possível, e que podemos definir o seu timing - acreditando que nunca é tarde.
A maturidade trouxe um autoconhecimento que hoje me permite a ousadia de experimentar atividades novas e explorar outras áreas do Conhecimento além da Medicina; e uma percepção mais refinada de minhas habilidades e vocações. Aprendi meio tardiamente a tomar decisões pensando em como quero estar vivendo daqui a dez anos, e não apenas na semana ou no mês que vem. Para isso, posso e devo, talvez pela primeira vez na vida, usar todo o potencial de que disponho.

Livro do Dia: Guerra e Paz, Liev Tolstói, trad. Rubens Figueiredo; Cosac-Naify, 2011 - comecei a ler nas férias esta prestigiada edição do famoso clássico, primeira tradução direto do Russo para o Português. Estou encantada. Basta dizer que passo o dia esperando a hora de poder ler de novo (costumo ler antes de dormir).

Filme do Dia: O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de Tus Ojos), dirigido por Juan Jose Campanella, 2009 - vimos este filme ontem à noite, e ficamos impressionados. Trama instigante, fotografia lindíssima, desempenho magistral dos atores. Enfim, cinema maduro, de alto padrão. Recomendo! Site do filme: http://www.elsecretodesusojos.com/


Post-Scriptum: Este blog foi criado há 1 ano, período em que contabilizou 451 visitas. Eu o transferi agora para o Blogger por motivos logísticos, e também porque o atual host tem recursos mais afinados com a proposta, que na essência é a mesma, mas foi levemente repaginada na forma, visando maior foco e interação com o público. Convido meus visitantes a seguirem o blog e darem suas sugestões. As atualizações ocorrem 1 a 2 vezes por semana. Republicarei periodicamente os melhores posts da versão original. Wellcome!!!